
O quinto e penúltimo dia de SPFW inverno 2012 teve Glória Coelho, Maria Bonita, Uma Raquel Davidowicz, João Pimenta e Lino Villaventura. Junto com sábado, esse foi um dos dias mais aguardados pela gente. Eis o que achamos importante destacar.

O trabalho da Gloria Coelho é sempre extremamente rebuscado e muito próprio. Não se prendendo a tendências e modismos, Gloria cria roupas que tem a sua personalidade impressa em cada detalhe. E são muitos os detalhes! Sempre brincando com formas estruturadas e arquitetônicas, os desfiles da estilista são um deleite aos olhos. Adoramos a meia-calça seguindo aquela ideia de barra lateral em cor ou tecido diferente que andamos vendo muito por aÃ, mas incrÃveis mesmo estavam os longos que encerraram a coleção.

A Maria Bonita trouxe uma coleção muito coesa, e com muito dourado, tons de marrom e amarelo queimado. É muito legal ver uma marca se construir de maneira tão firme e segura quanto ela. Várias das peças ali na passarela, apenas de bater o olho, já conseguirÃamos identificar de quem eram, mesmo se estivessem em um contexto completamente diferente e sem identificação alguma. Dá para perceber uma reconhecimento maior do que apenas entre coleções, que se estende realmente para a identidade da marca.

Por sinal, se a previsão desse São Paulo Fashion Week estiver correta, o dourado será uma das grandes cores da próxima estação, já que tem aparecido em praticamente todas as coleções que vimos até agora. De looks inteiros a apenas detalhes nos metais, junto do preto, a cor foi a mais vista nas passarelas da Bienal.

Raquel Davidowicz apresentou uma coleção que flertava muito com a androgenia, até mesmo nos looks mais femininos compostos de saias e vestidos. As jaquetas de abotoamento duplo, os sapatos pesados e a cartela de cores muito sóbria ajudou a compor esse sentimento, e todos esses itens juntos funcionam muito bem para a estação mais fria do ano.

Depois de um merecido “WTF?” na última temporada de SPFW, João Pimenta mais do que se redimiu ao nosso ver. Inspirado no Steam Punk, sub-gênero da ficção cientÃfica que retrata um passado futurista (exemplificando muito por cima, uma coisa mais ou menos naquela pilha dos novos filmes do Sherlock Holmes, com Robert Downey Jr.), ele apresentou uma coleção incrÃvel, que dava gosto de ver em detalhes. As máscaras criadas por Marcelo Andreotti deram um show a parte na produção.

Lino Villaventura é um mestre dos drapeados, ninguém tem dúvidas disso. Seus vestidos são tão lindos e incrivelmente detalhados que mais parecem verdadeiras obras de arte. Isso posto, a coleção dessa temporada de inverno veio inspirada nas imagens sombrias do pintor Francis Bacon, e a cartela de cores reflete justamente essa inspiração. Um ótimo jeito de se encerrar o penúltimo dia de evento.
Imagens: Reprodução/FFW