Entre os nomes consagrados do Donna Fashion Iguatemi, está Jaqueline Lunkes, designer de moda recém-formada pela Feevale. Premiada no concurso Next Generation 2010, promovido pelo próprio DFI, ela se prepara para ver na passarela a sua primeira coleção em um evento de grande porte.
A gente resolveu fazer algumas perguntas para a Jaqueline e acabamos ficando encantadas mesmo com o tema e pesquisa da coleção dela. A porto-alegrense de 23 anos criou peças unissex inspirada pela influência da China e do terrorismo Islâmico na Moda e no comportamento humano na primeira década do século 21.
(Quem tiver interesse pode conferir o trabalho de conclusão dela sobre o tema neste link).
Confira a entrevista sobre a estilista e sobre a coleção também (é longa, mas a gente jura que vale a pena!).


Como surgiu seu interesse por moda? Conte pra nós alguma lembrança antiga ou da infância que mostre como esse interesse surgiu em você.

Como grande parte das meninas, meu brinquedo favorito sempre foi a Barbie, mas a brincadeira não era de casinha. Passava as tardes sentada ao lado da máquina velha de costurar da minha mãe. As barbies tornavam-se minhas clientes. Havia milhares de retalhos de tecidos, linhas, agulhas e muitos botões. Muito rapidamente as bonecas já estavam de roupas novas, com penteados, bolsas, e até mesmo botas longas confeccionadas com tecido. O único problema era que para a cliente receber uma nova peça de roupa, eu tinha que desmanchar a velha, pois costurava os retalhos de tecido nas bonecas e não conseguia tirar sem descosturar.
Isso pode parecer coisa de criança, mas naquela época, estas tardes brincando me levavam para um mundo encantado das histórias que minha mãe me contava antes de dormir.
Hoje em dia eu continuo sentindo a mesma emoção, tenho o mesmo sentimento quando estou com uma tesoura e um tecido na mão. Não tenho vontade de parar, quero sempre fazer e aprender mais e mais. Essa é a minha vida, e desejo que seja para sempre.

Em quais grandes estilistas você se espelha e qual o que você mais admira?

McQueen, por mostrar o novo e o diferente com muito bom gosto, e Chanel, por ser clássica! E eles foram uma grande inspiração para esta coleção!


Qual seu grande sonho como designer?

Ver as minhas criações na rua! Poder olhar alguém passeando e notar: ela está usando a roupa que eu criei!
Acho que o dia que isto acontecer, sou capaz de parar a pessoa e dar um abraço!

Fale um pouco sobre as inspirações dessa coleção que será apresentada no DFI e sua relação com ela.

Foram praticamente 12 meses de trabalho. Meu trabalho foi sobre “A influência da China e do Terrorismo Islâmico na Moda e o reflexo no comportamento humano, na primeira década do século XXI”. Fiz um mapeamento para ver quais eventos marcaram a década e como que se comentava sobre eles, o que que estes eventos significaram para as pessoas. Então, recortei a minha pesquisa com o avanço da China como potência econômica e o ataque terrorista, focado em 11 de setembro. Além de demonstrar o perfil comportamental das pessoas nesta década, busquei informações voltadas ao consumo. Assim consegui descrever o meu público alvo, criar uma marca e toda uma atmosfera para a coleção. Pesquisei em coleções de moda, de 2001 a 2010, qualquer pincelada que remetesse à China ou ao terrorismo. E eu encontrei muitas!
O lenço palestino (muito forte em 2007), coleções de Walter Rodrigues e Ronaldo Fraga mostrando referencias da cultura chinesa, Alexandre Herchcovitch e McQueen trabalhando sobre o medo, Gloria Coelho tem uma foto de divulgação com duas torres de vidro atrás da modelo, como fundo da foto, etc. Esses fatos me mostraram que sim, os eventos influenciaram a moda! Mas foi através do reflexo que estes eventos tiveram nas pessoas.
Uma ação, gerou uma reação e esta reação influenciou a moda. Minha coleção expressa isso de uma forma mais lúdica, com modelagens inspiradas em peças tradicionais de alguns povos, como a burca, o lenço palestino, o kilt escocês, as calças com volume no quadril, etc. Quis trazer elementos culturais, para propor novas silhuetas. Fugir do clássico já muito explorado. A cartela de cores foi inspirada no degradê do pôr do sol, a alternância do laranja para o azul. Sendo complementada com cores escuras como cinza e preto, remetendo diretamente ao medo e a insegurança gerada por aqueles eventos já comentados. Desta forma, o paradoxo já estava formado.
Sempre trabalhando os dois lados de uma situação, também como o caminho a ser percorrido entre os lados opostos.
A escolha dos tecidos foi fundamental para costurar todas as linhas de pensamento. Sendo escolhidos ou tecidos leves e fluidos, ou tecidos rigidos e pesados, para poder trabalhar com estes opostos.
Para o desfile desta coleção unissex, foram selecionados 15 modelos femininos e 15 modelos masculinos para desfilarem looks idênticos! Isso ficará bem claro no desfile conjunto, quando os modelos entrarem aos pares na passarela!
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O desfile dela acontece amanhã às 18h na passarela principal do Donna Fashion. Não podemos esperar!